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O PORQUÊ DO PERDÃO
Com os inegáveis avanços da ciência, o homem, em seus
arroubos de grandeza, gasta valiosos recursos tentando ampliar seu domínio
ao espaço cósmico, sem ao menos ter aprendido a viver no diminuto espaço que
ocupa na sociedade onde convive com o seu semelhante.
Cada presídio construído no mundo comprova essa
realidade, atestando o grau de ignorância em que ainda se encontra o homem
na Terra. Não falamos da ignorância cultural ou inocente, mas da mais grave
de todas as ignorâncias que predomina não só entre os incultos, mas
principalmente nos meios ditos esclarecidos.
A tecnologia encurtou distâncias e ampliou as
comunicações, proporcionando ao homem tomar conhecimento em poucos instantes
de tudo o que acontece no mundo. Entretanto, com todos esses recursos, por
incrível que pareça, a grande maioria dos homens ainda continua ignorante da
sua real natureza e da verdadeira finalidade da vida.
É essa a ignorância que contribui para o aumento da
criminalidade e o crescimento constante da população carcerária em todo o
mundo. Se analisarmos o problema da criminalidade de forma um pouco mais
profunda, vamos perceber que, na verdade, não existem criminosos, o que
existe são dois tipos de vítimas dessa ignorância: a vítima passiva e a
vítima ativa.
Os violentos, os desonestos, os corruptos, e os
criminosos de toda sorte são as vítimas ativas que, sem compreenderem o
verdadeiro significado da vida, acham-se no direito de tomar para si o que
não conseguiram conquistar pelos meios adequados e justos. Vítimas da própria ignorância, serão julgados no tribunal
da própria consciência onde o remorso os condenará a duras penas que poderão
representar séculos de sofrimentos até que, como vítimas da violência que
usaram hoje, resgatem seus crimes no futuro. Por outro lado, menos doloroso, nossos irmãos que
sucumbiram como vítimas passivas, provavelmente, são criminosos de outrora
que retornaram ao mundo físico para resgatarem a consciência atormentada
pelos crimes cometidos em encarnações passadas. Como vítimas hoje,
retornaram ao mundo espiritual aliviados em suas consciências.
Aqueles que sofreram da violência apenas prejuízos
morais, materiais ou físicos, com certeza, submeteram-se a provações que, se
compreendidas, servirão de lastro para grandes conquistas na renovação dos
seus sentimentos, resgatando os equívocos cometidos no pretérito.
Analisando as duas situações, percebe-se que o ser
humano, em qualquer circunstância, é sempre uma vítima de si mesmo e da sua
ignorância; além disso, o mal que pratica acaba servindo aos propósitos
divinos no cumprimento das suas leis sábias e justas que punem os criminosos
de ontem, através dos criminosos de hoje. Todos são dignos da nossa compreensão!
Até que consigamos superar esse período de ignorância
espiritual em que vive a maioria dos seres encarnados, os cárceres, os
hospitais e os manicômios estarão sempre lotados.
Não quero, sob esse argumento, isentar da culpa aqueles
que optaram pelos caminhos do crime, mas apenas chamar a atenção a um
sentimento que, estimulado pela mídia, parece se generalizar na grande
maioria das mentes desprevenidas. Trata-se da idéia de que os criminosos são
seres à parte do contexto social e incapazes de qualquer recuperação.
Não podemos generalizar e nem tão pouco esquecer de que,
há menos de cento e cinqüenta anos, as leis humanas permitiam a muitos de
nós, reencarnados naquela época, dar os filhos recém-nascidos dos nossos
escravos como alimento aos cães e aos porcos e até matar os adultos nos
troncos, sob o guante infame da chibata, além de nos permitir praticar
abusos inconfessáveis contra as mulheres cativas.
Apesar disso, não nos tornamos criminosos perante as leis
da Terra, mas ferimos profundamente as leis naturais e as leis divinas. É por esse motivo que jamais devemos julgar ou condenar
quem quer que seja. Talvez os erros que apontamos no nosso próximo sejam
aqueles que mais praticamos no passado. Hoje entendemos por que Jesus
desafiou a turba sequiosa pela condenação, afirmando: "Atire a primeira
pedra quem não tiver pecado".
As pessoas habituadas ao perdão sofrem menos do que
aqueles que ainda se deixam envolver pela idéia de que perdoar
irrestritamente é abdicar dos próprios direitos supostamente conferidos
pelas leis humanas. Com isso, arrastam-se durante uma vida duelando
mentalmente ou juridicamente em uma luta inglória que culminará somente com
perdedores perante as leis naturais da vida.
Os movimentos que alguns realizam para agravar as penas
sobre os infelizes que optaram pelo crime, quase sempre, nasceram do
sentimento de vingança e de ódio daqueles que tiveram seus interesses ou
entes queridos feridos pela violência, que não é causa, mas sim um efeito
gerado por uma sociedade que ajudamos a construir.
Se, diante de tais fatos, percebemos claramente a
importância do perdão até para com os criminosos do mundo, imaginemos a
importância do perdão entre aqueles que estão ligados a nós pelos laços
consangüíneos ou por um parentesco indireto, submetendo-nos, por força das
circunstâncias, a uma convivência útil e necessária.
No decorrer dos fatos aqui relatados, o leitor vai descobrir que, em
certos momentos da nossa vida, sofremos muitos dissabores desnecessários por
não termos aprendido a exercitar o perdão.
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