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A CURA PELO PERDÃO
Quando eu trabalhava no ramo de construções e estava
construindo uma casa para um cliente que se tornou meu amigo, certa feita,
essa pessoa, tomando conhecimento do meu trabalho mediúnico, pediu-me que eu
fosse ver sua comadre, uma uruguaia, que sofria de uma bronquite crônica que
a levava quinzenalmente a ser hospitalizada. Atendendo ao seu pedido, fui visitá-la. Morava próximo à
obra do amigo.
Quando cheguei em sua casa, recebeu-me cordialmente;
estava ofegante, percebia-se a gravidade do problema que a fazia sofrer.
Conversei bastante; realmente ela precisava de ajuda. Mostrou-me uma caixa
cheia de remédios e resultados negativos de exames; já havia tentado de
tudo. Consultara quase todos os especialistas.
Naquele dia, impus minhas mãos sobre ela e vibrei em seu favor. A partir daí, todos
os dias, quando me dirigia para a obra do meu amigo, passava pela sua casa e
repetia o tratamento da imposição das mãos. Percebi tratar-se de uma enfermidade de fundo
psíquico-emocional. Entretanto, após duas semanas de passes consecutivos,
não apresentava melhora. Preocupado, consultei os benfeitores espirituais
que me assistiam naquele caso. Obtive uma resposta sucinta: Consulte o seu
coração!
No dia seguinte, antes de ministrar-lhe o passe,
conversamos muito; então, aproveitei e perguntei-lhe:
– A senhora tem mágoa de alguém?
Após a pergunta, seu rosto ruborizou e ela respondeu:
– Muita mágoa! Muita mágoa mesmo! Quando eu tinha apenas
quinze anos de idade, meu irmão deu-me uma surra na frente de um jovem com o
qual eu tinha uma grande amizade. A humilhação que passei foi muito grande.
Não consigo perdoá-lo. Quando me lembro do acontecido, sinto vontade de
matá-lo.
Percebi o quanto ela o odiava. Esse era o seu grande
problema. Conversei muito com ela e acabei convencendo-a de que era preciso
reconciliar-se com o irmão, porém, ele morava no Uruguai. Diante desse fato,
só restava uma alternativa; novamente, como nos outros casos, recorri à
velha receita...
Ela se prontificou a exercitar o perdão através das
mentalizações.
Continuei ministrando-lhe o passe por mais alguns dias,
mas, como eu havia terminado a obra do meu amigo, fiquei impedido de
visitá-la diariamente. Passados alguns meses, o meu amigo telefonou-me, pedindo
que eu fosse até a obra para orientá-lo no tipo de revestimento externo que
deveria usar como acabamento final. Na ocasião, aproveitei e passei pela
casa da enferma. Fiquei surpreso ao vê-la lavando o jardim com os pés
descalços. Quando me viu, chorou de emoção e fez-me entrar para ouvir sua
narrativa:
– Eu fiz exatamente como o senhor me orientou! Todas as
noites, através da imaginação, eu me via diante de meu irmão e o abraçava.
Foi muito difícil, mas eu continuei, até que, certa noite, quando eu senti
que seria capaz de abraçá-lo, se realmente estivesse diante dele, fui
acometida de uma sonolência estranha. Nessa hora, vi claramente uma mulher
entrar no meu quarto e falar:
– Minha irmã! Você está curada! Tome dois vidros de
Emulsão de Scott para se fortalecer.
Depois de narrar o acontecido, sorrindo, mostrou-me o
vidro de remédio e afirmou:
– Já tomei um e agora começo a tomar o outro!
Realmente, ela estava curada! Não só da bronquite, mas
também do coração!
Esses acontecimentos surgem em nossas vidas para
crescermos espiritualmente. São lições importantes, às vezes aparentemente
injustas, mas que, na realidade, atendem às nossas mais prementes
necessidades evolutivas. As pessoas que se tornam os instrumentos na
aplicação dessas lições, apesar do grau de ignorância em que estagiam,
surgem como material didático, proporcionando-nos valiosas oportunidades de
exercitarmos as virtudes que ainda não conquistamos.
O mal que nos causam, se bem compreendidos, transformam-se em um bem
muito maior, cujos benefícios aprendemos a reconhecer mais tarde.
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